quarta-feira, 22 de julho de 2026

A vaca na árvore, o papagaio e o picolé de chuchu essa é a câmara de Vereadores de Tupanciretã

 


A atuação da Câmara Municipal de Tupanciretã reflete um dilema recorrente na política dos pequenos e médios municípios brasileiros: a distância entre o pragmatismo das demandas imediatas e a capacidade de propor um projeto de desenvolvimento sustentável e de longo prazo. Embora cumpra com eficiência seu papel de caixa de ressonância dos problemas cotidianos do cidadão, o Poder Legislativo local ainda devasta terreno quando o assunto é exercer uma fiscalização verdadeiramente autônoma e propor pautas de impacto estrutural.

Com uma composição majoritariamente governista  reflexo da hegemonia do bloco conservador na região , a Casa Legislativa ostenta uma margem confortável para a aprovação dos projetos de autoria do Executivo. Se, por um lado, essa harmonia garante a governabilidade e acelera a tramitação de matérias cruciais, por outro, arrisca transformar a Câmara em um mero carimbo das decisões da Prefeitura. A minoria oposicionista, embora vocal em determinadas pautas, encontra limites numéricos severos para impor contrapontos de peso ou provocar debates de fundo sobre a aplicação dos recursos públicos.


Ao examinar a produção parlamentar no Portal da Transparência, salta aos olhos a predominância de indicações e pedidos de providência voltados para a infraestrutura urbana e rural: o conserto de lâmpadas, a sinalização de vias e a manutenção de estradas de chão. Tais solicitações são legítimas e refletem o contato direto do vereador com a comunidade. Contudo, há uma linha tênue entre ser o porta-voz do bairro e assumir a função de um “zelador do município”. O papel constitucional do vereador vai além de apontar buracos no asfalto; exige fiscalização rigorosa de contratos, avaliação contínua da eficiência dos serviços de saúde e educação, e a proposição de leis que desburocratizem e modernizem a cidade.


A história recente da política local também impõe responsabilidades adicionais. O uso de diárias de viagem e os custos de manutenção da máquina parlamentar permanecem sob o olhar atento de uma sociedade civil cada vez mais crítica e informada. A transparência pública deixou de ser uma virtude para se tornar uma obrigação basilar, exigindo do vereador retidão absoluta na aplicação do dinheiro do contribuinte.


Tupanciretã, reconhecida por sua força no agronegócio e por sua relevância regional, precisa de um Legislativo à altura de suas potencialidades. Para avançar, os parlamentares locais precisam superar a rotina das homenagens, nomes de ruas e pleitos assistenciais para assumirem o protagonismo nas grandes discussões: o incentivo à industrialização, a retenção de jovens talentos e a melhoria dos indicadores sociais.


O cidadão tupanciretanense não busca um Legislativo em pé de guerra com a Prefeitura, mas exige uma Câmara viva, independente e estratégica. Mais do que atender ao telefone do eleitor para resolver urgências pontuais, o vereador do século XXI precisa ajudar a projetar a Tupanciretã das próximas décadas.


E ai, descobriu quem é a vaca na árvore, quem é o papagaio e que é o picolé de chuchu?

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